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Muito se tem falado, nos últimos dias, sobre as nossas selecções nacionais. Da de basquetebol, que terminou ontem uma presença muito meritória no campeonato da Europa da modalidade; da de rugby, que parece determinada a mostrar aos profissionais que, apesar de amadores e estreantes, não viajaram para o mundial de França em classe turística; e, por último, da de futebol, que dá hoje mais um passo decisivo na campanha de apuramento para o europeu do próximo ano.  

Comentários, há para todos os gostos, designadamente na blogosfera nacional.

Uns inaltecem a forma patriótica como os Lobos cantam A Portuguesa e a forma corajosa como se têm batido, fazendo suar adversários de um nível competitivo muito superior, o que já lhes valeu o respeito do mundo da rugby.

Outros, dizem não perceber o tamanho destaque que se está a dar aos feitos do rugby. Afinal de contas, para além de não terem ganho nenhum jogo (nem ser provável que ganhem), são amadores e já confessaram que têm como objectivo perder por menos de 100 pontos com algumas selecções. Big deal! Ah, e aquelas figuras a chorar, enquanto cantam o hino, valha-nos Deus! Bravos, são os do basquetebol, que conseguiram um inesperado apuramento para a segunda fase do europeu, contra todas as expectativas, mesmo as mais optimistas.

Há ainda os que, valorizando os feitos do rugby e do basquetebol, aproveitam para bater na selecção de futebol, que está a protoganizar uma descolorida fase de apuramento para o europeu de futebol, a realizar no próximo ano na Suíça e na Aústria. São umas vedetas. Não correm. Têm tudo que querem. Por esta altura, já deviam ter o apuramento garantido. Nunca tivemos um grupo de apuramento tão fácil. Scolari isto, Scolari aquilo…

Em Portugal, há muito o hábito de dizer mal. É sabido. E, quando se diz bem de alguma coisa, é para, logo de seguida, usá-la para dizer mal de outra. O desporto não foge a esta sina, bem pelo contrário.

Apesar de fervoroso adepto de futebol, gosto de acompanhar outras modalidades desportivas, colectivas e individuais. Quanto a mim, no futebol a situação é clara: somos, actualmente, uma das melhores selecções do planeta. Ponto. Não estamos a fazer um apuramento brilhante, é certo. Mas, em todas as equipas do mundo, seja qual for a modalidade em análise, há oscilações de forma, há ciclos bons e maus. Felizmente, já não estamos habituados aos momentos menos bons. Ainda assim, estou convicto que nos vamos superar e, para o ano, lá estaremos entre os melhores da Europa.

Quanto ao resto, só dizer uma coisa: é muito bom percebermos que o panorama do desporto português está a mudar. A prática desportiva já não se resume, apenas, ao futebol ou a algumas disciplinas do atletismo, normalmente as que implicavam menor investimento e infra-estruturas, como as provas de estrada ou corta-mato. Hoje, já temos atletas de alto nível em disciplinas tecnicamente exigentes, como no salto em comprimento, no triplo salto, no triatlo  ou no judo e nas provas de velocidade ou de meio fundo. Mas, também temos atletas e equipas de alto nível noutros desportos colectivos, o que era muito raro. Já não é só futebol. Também temos o basquetebol e o rugby, o voleibol e o andebol. Quer isto dizer que, talvez daqui a 20 anos, sejamos tão bons nestas modalidades, quanto já somos hoje no futebol. E quererá dizer que, para além de atletas e equipas de alta competição, teremos mais infra-estruturas, mais praticantes e mais adeptos de várias modalidades. Em suma, teremos mais Desporto, no sentido lato da palavra.

E isso, quanto a mim, é muito bom. É o que realmente importa. Tudo o mais, são guerrilhas inúteis.