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“Vim da terra vermelha e do cafezal.
As almas penadas, os brejos e as matas virgens
Acompanham-me como o espantalho,
Que é o meu auto-retrato.
Todas as coisas frágeis e pobres
Se parecem comigo.”
– Candido Portinari

Na fotografia, Portinari com a esposa, Maria, no seu atelier no Rio de Janeiro, 1931

Para saber mais sobre a vida e obra deste magnífico artista brasileiro, protagonista do último Coffee Quiz, da autoria da Raquel, não deixe de visitar os links Centenário Portinari 2003/2004 e Projeto Portinari. Verá que vale bem a pena. Não acreditam? Aqui fica uma muito pequena amostra das delícias que, por lá, poderão encontrar.

 

Eram belas as manhãs frias na época da apanha do café e delicioso o canto dos carros de boi transportando as sacas da colheita. Quantas vezes adormecíamos sobre as sacas. A luz do sol parecia mais forte. Era somente para nós. Ia pela estrada afora o carro vagaroso, cantando. Dormíamos cheios de felicidades. Sonhávamos sempre, dormindo ou não. Nossa imaginação esvoaçava pelo firmamento (…). À noite, deitávamos na grama ao redor da igreja e de barriga para cima ficávamos vendo as estrelas e sonhando; um perguntava ao outro o que desejava ser – as respostas eram ambiciosas: um desejava ser rei, outro general, aquele dono de circo.

Candido Portinari