Após os lamentáveis incidentes verificados no clássico do passado Domingo, que opôs o S.L. Benfica ao F.C. Porto, e que, só por mero acaso, não redundaram em consequências mais graves, assiste-se agora a uma espécie de prolongamento do embate, em que direcções dos respectivos clubes e a P.S.P. procuram sacudir responsabilidades.

Entre comunicados indignados e declarações desculpabilizantes, a responsabilidade é noiva pouco desejada. O Benfica argumenta que aquela zona do estádio já “albergou” outras claques numerosas (Celtic, Man United)  e que implementou as medidas necessárias para isolar os adeptos portistas; o Porto considera um “erro grosseiro” colocar a claque no último piso; por fim, a P.S.P. diz  não ter qualquer responsabilidade na escolha do local e, quanto ao material pirotécnico, a sua detecção é praticamente impossível, dada as reduzidas dimensões do mesmo, que permite a entrada camuflada de variadas formas.

Mas então, quem é o responsável?

No meu entender, todos têm alguma responsabilidade, mas seria no mínimo patético a discussão continuar à margem do principal “culpado”: a claque dos Super Dragões.

Foram eles que resolveram, premeditadamente, levar para um jogo de futebol “material pirotécnico proibido”; foram eles que resolveram lançar o pânico entre adeptos do clube rival, obrigando à evacuação de crianças; foram eles os responsáveis pelos ferimentos dos adeptos que se viram obrigados a recorrer a tratamento hospitalar. Objectivamente, foram eles, mais ninguém.

Por isso, a questão é muito simples: nos estádios modernos que PAGAMOS, os mecanismos de vigilância têm de funcionar efectivamente, os autores dos actos de violência e vandalismo têm de ser identificados, as autoridades policiais têm de os fazer comparecer perante a Justiça e esta tem de actuar em conformidade. Quando os elementos das claques – não só desta, mas de todas as outras que incorrem em comportamentos impróprios – perceberem que os actos selvagens que praticam não mais ficarão impunes, começaremos a vencer esta batalha. Até lá, o circo do futebol português continua e os jogos de futebol continuarão a ser um “espectáculo” demasiado perigoso para levar a família.

Há uns anos, um adepto do Sporting foi atingido por um “very light”, numa final da Taça de Portugal, disputada no Jamor entre Sporting e Benfica. Morreu e deixou mulher e dois filhos. Dada a extrema gravidade da situação, identificaram o assassínio, julgaram-no e prenderam-no. Porém, pouco tempo depois, não se sabe bem como, escapou da prisão e continua foragido da Justiça. Segundo consta, muita gente sabe do seu paradeiro e, ironia das ironias, já terá assistido a jogos do seu clube, inserido na claque a que sempre pertenceu e onde, para muitos, é considerado um ídolo. O que poderia ser um caso exemplar de intransigência e firmeza da Justiça – cível, penal e desportiva – com a violência no desporto, não passa de um infeliz episódio que me envergonha enquanto português e adepto de futebol e que em nada contribui para a prevenção e dissuação destes comportamentos marginais. Enquanto assim for, o que vimos no Estádio da Luz no passado Domingo, continuará a ser um clássico do futebol português!