Há dias, numa dessas cadeias que ninguém sabe onde começam e muito menos onde acabam, fui convidado pelo Shark a desvendar-me um pouco mais. Como? Simples, só tinha que dizer o que queria ser quando fosse grande. Por isso, cá vai!

Esta resposta, para mim, não tem nada de simples. Na verdade, procuro-a há quase trinta e dois anos, sem sucesso.

Lembro-me, ainda na infância, de querer ser jogador de futebol. Não um jogador qualquer. Queria ser jogador de futebol da equipa principal do Sporting Clube de Portugal – impressionante como, já em criança, demonstrava tamanha lucidez. E nem admitia, sequer, a passagem por outras equipas, como estádios intermédios na caminhada para o objectivo principal. Escusado será dizer que foi um sonho não concretizado, não por me faltarem qualidades para o concretizar (obviamente), mas por diversos factores que agora não interessam enumerar🙂 .

Desde essa altura que não paro de sonhar. Claro que não há sonhos como o primeiro! Com o avançar da idade, muitos deles são só objectivos, outros apenas desejos momentâneos. Mas, antes que me afaste mais da resposta, o que eu quero dizer é o seguinte: o que eu quero ser quando for grande, não sei. O que sei é que, nas várias etapas da minha vida (que espero ainda longa), tive capacidade para sonhar (muito) e concretizar alguns (poucos) desejos. O que espero (e não o que quero ser) quando for grande é manter esta capacidade de reciclar os sonhos e desejos, mantendo vivo em mim a alegria de viver sonhando.

 

Pedra Filososal, excerto

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

António Gedeão

 

P.S.: E passo a “batata quente” à Raquel, dos Pensamentos Soltos (cá se fazem, cá se pagam🙂 )